Lápis cor de pêssego ou cor de pele?


  
Essa semana eu e meu filho estávamos pintando um desenho quando ele me pediu pra que eu alcançasse o lápis cor de pêssego pra ele. Peguei o lápis na mão, mostrei pra ele e perguntei: é esse aqui cor de pele que tú queres?

Ele me fita os olhos e me larga essa: mãe, não existe lápis cor de pele, o nome certo é cor de pêssego, tu ainda não percebeu que cada pessoa tem uma cor de pele? Olha aqui, a minha cor é diferente da tua, que é diferente da cor do pai, que é diferente da cor da mana. Lá na minha escola, cada amigo meu tem uma cor de pele diferente. Tem cor de pele clarinha, mais amarelinha, mais marronzinha, tem até cor de pele que é quase branca. Então, tú nunca mais chama essa cor, de cor de pele, o nome certo dessa cor é cor de pêssego, entendeu?

Fiquei olhando atentamente pra ele com aquele lápis na mão e me sentindo uma idiota, diga-se de passagem, que prontamente concordei com toda aquela explicação, lógica, centrada e muito convincente, sem falar em tamanha segurança que ele me passava ao me explicar a simples cor do lápis.

Eu que cresci numa época em que o lápis cor de pêssego era chamado de cor de pele, nunca fui capaz de questionar a respeito, que vergonha! Mais uma vez eu digo: como eu aprendo com meus filhos e como a maternidade me transforma! 

Fiquei feliz demais em presenciar essa cena e meu coração se encheu de esperança, pois talvez, a simples mudança de nome, da cor de um lápis, seja um indicativo de que estamos caminhando para um mundo menos preconceituoso.

 O que nos define não é e, nunca foi a cor da nossa pele, mas o tamanho do nosso coração! 

Imagem Google

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